ABNEGAÇÃO HEROICA EM TEMPOS REACIONÁRIOS: A RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA NO RIO DE JANEIRO EM TEMPOS DE PRECARIZAÇÃO

  • Autor
  • Bruno Lima Rocha Beaklini
  • Co-autores
  • Adílson Vaz Cabral
  • Resumo
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    Este trabalho aborda a produção midiática de emissoras de rádio e TV comunitárias (com ou sem outorga) do Rio de Janeiro e Grande Rio (Baixada Fluminense e Leste Metropolitano), com atuação no tempo presente (primeiro e segundo semestre de 2024, em função de pesquisa de pós-doutorado realizada pelo primeiro autor). Para tal, abordamos, além do produto midiático em si, as condições de sua existência (Beaklini, 2025): formas de financiamento (e a ausência de política pública para tal); participação na emissora (com democracia interna ou não e o perfil de entidades associadas); e, por fim, a relação com o entorno (território, autoridades locais e estaduais e o público). Se utiliza a metodologia da memória etnográfica com observações do trabalho de campo, das conversas e vivências nas entidades, territórios e com os ativistas (lideranças, coordenadores) e, por fim, a análise política em sentido estrito (Lima Rocha e Santos, 2011), trazendo a verificação da hipótese inicialmente proposta e a resposta ao problema de pesquisa. Tal como inferimos na hipótese deste projeto, o valor democrático nas relações internas das três emissoras estudadas é bastante grande, mais que a média de entidades perfeitamente legalizadas, porém sob controle quase absoluto de pessoas físicas dedicadas a essas iniciativas até onde a disposição permitir. A precarização do mundo da vida na metrópole carioca / fluminense incide até na condução política individual. Os altíssimos níveis de violência destes territórios conexos fazem com que a luta reivindicativa e de organização comunitária sejam fatores de aumento a seus graus de institucionalização, demandando um selo de “política cultural” e de amparo institucional. O peso das universidades públicas nas atividades das esquerdas da região é muito grande. Por um lado, as condições materiais de vida se precarizam e a violência (incluindo o desgoverno, a falta de autoridade em territórios inteiros além da tirania das redes de quadrilhas ilegais) determina os limites de programação das emissoras. Por outro, a necessidade de institucionalização faz com que todas as iniciativas busquem algum guarda-chuva de amparo. O problema da democracia interna é mais relacionado com a baixa participação e divisão de responsabilidades do que necessariamente com o autoritarismo de lideranças ou responsáveis. Assim o principal fator para o funcionamento (e sobrevivência) das emissoras estudadas é o voluntarismo de suas lideranças. Os itens de recompensa material ou simbólica são frágeis ou inexistem e, no caso das rádios não outorgadas, a perda de equipamentos, a repressão do Estado e os riscos reais de perda da vida ou patrimônio têm níveis elevados. Logo, a compensação não é o reconhecimento público, mas a coerência quase como uma missão de vida. No sentido normativo, observa-se a necessidade de uma política pública atuante e a superação das condições precárias da Metrópole Carioca e Fluminense, que se impõem sobre o mundo da vida (Habermas, 2003; Heller, 2016), não escapando desse condicionamento estrutural as rádios comunitárias em (heróica) atividade.

     

     

  • Palavras-chave
  • radiodifusão comunitária, precarização, democracia interna, domínio territorial, rotina produtiva, institucionalização
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
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